CRESCIMENTO DO CONSÓRCIO É RESULTADO DE INVESTIMENTOS PATRIMONIAL E FINANCEIRO, REVELA PESQUISA DA ABAC
Consórcio: poupança com objetivo definido, tem impulsionado segmentos automotivo e imobiliário
Nos últimos anos, o Sistema de Consórcios vem apresentando crescimento constante no mercado financeiro. Com repetidas quebras de recordes de adesões, a modalidade, importante meio para planejamento de aquisição de veículos e imóveis, superou a marca dos 13 milhões de participantes ativos em maio.
A exemplo do que tem acontecido nos últimos anos, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) encomendou nova pesquisa qualitativa e quantitativa à Okiar Intelligence - Pesquisa de Mercado, com o objetivo de identificar fatores que têm impulsionado o crescimento do Sistema de Consórcios e a fim de compreender como ele é percebido pelos consumidores, inclusive as principais finalidades de utilização dos créditos.
PONTOS RELEVANTES
Importante destacar que esta pesquisa focou em entender como o consumidor vê o produto, pois muitas vezes observou-se que algumas características ainda não são totalmente assimiladas por ele.
Também se o consórcio é considerado mais como ferramenta de planejamento do que como produto financeiro e se a decisão pela adesão foi impulsionada por fatores emocionais e de confiança, mais do que uma avaliação totalmente racional. Inclusive se, ao longo do tempo de duração do grupo de consorciados, o desafio da experiência se sustentaria, considerando fatores como clareza, capacidade financeira de pagamento e acompanhamento ao longo do plano.
OS ENTREVISTADOS
Em avaliação iniciada em dezembro do ano passado, o levantamento realizou entrevistas qualitativas com quatro grupos de trabalho, totalizando 20 pessoas, para observar as diferenças dos perfis de consumidores: consorciados ativos, contemplados e cancelados, responsáveis pela contratação do plano nos últimos dois anos.
Ao longo dos quatro meses seguintes, até abril, foram realizadas 1.852 entrevistas quantitativas buscando aprofundamento sobre questões como a compreensão do produto, a experiência ao longo do plano, razões da desistência e potenciais oportunidades da modalidade. O filtro para essa etapa foi de consumidores que já contrataram ou não planos de consórcio.
O total de consultas foi constituído por 55% de homens e 44% mulheres, sendo 62% na faixa etária de 18 a 35 anos, 35% de 36 a 55 anos, e 3% acima dos 56 anos. Entre os participantes, havia 50% de casados ou com união estável e 39% com filhos.
Na metodologia aplicada, foram consultadas cinco classes sociais, sendo 11% da A, 46% da B, 35% da C, 5% da D e 3% da E. Com cobertura nacional, incluindo capitais e interior, os entrevistados eram originários das regiões Sudeste, com 44%; Centro-Oeste, com 28%; Nordeste, com 16%; Sul e Norte com 6% cada.

NÍVEL DE CONHECIMENTO
Entre os resultados observados, verificou-se que o consórcio já fazia parte das opções disponíveis no mercado por 56% dos brasileiros conhecedores da modalidade. O destaque foi para homens com 67% reafirmando seu conhecimento. O grupo foi completado por 44% de entrevistados que desconheciam o mecanismo.
Paralelamente, o consórcio é conhecido mais fortemente no mercado pela classe B, com 78%. A classe C ficou em segundo lugar com 53%, seguida pela A, com 47%. As demais, D e E, ficaram com 32% e 21%, respectivamente.

Na fase qualitativa, ficou evidenciado que 28% do universo questionado disse conhecer bem - e muito bem - a modalidade. Somente entre os consorciados contemplados, aqueles que vivenciaram toda a duração do grupo, verificou-se que 69% mostraram conhecimento mais elevado.

Ao apontar entre os bens mais tradicionais, os entrevistados registraram que, entre os tipos de consórcio que conhecem ou participam, 81% disseram conhecê-lo mais precisamente no setor de veículos automotores, inclusive com 43% adquirindo-os. No segmento imobiliário, a exemplo do de veículos, 59% também o identificaram para os imóveis, com 17% usando os créditos concedidos nas contemplações.

PERCEPÇÃO
Em linha com a pesquisa qualitativa, a quantitativa mostrou a percepção do consorciado. O resultado apresentou uma consciência mais associada aos que mantém uma disciplina financeira, especialmente aos que o utilizam como ferramenta de planejamento e aquisição de bens.
Três expressões citadas pelos questionados confirmaram as razões da escolha: “É mais acessível que financiamento”, “É uma forma segura de planejamento” e “É uma forma de me obrigar a guardar dinheiro”.
A maior dificuldade ficou para aqueles consumidores mais vulneráveis que encontraram maior dificuldade no período de duração do grupo do mecanismo.

RELACIONAMENTO
Durante a aplicação da pesquisa, comprovou-se que o consórcio não se conecta com toda a base. Ele se adequou mais aos consumidores que apresentaram maior organização financeira, enquanto perfis mais vulneráveis encontraram dificuldade em sustentá-lo, impactando tanto na adesão quanto na permanência.
Os perfis que mais apresentaram estrutura financeira foram os participantes ativos, com 60%, e os contemplados, com 65%. Entre os que se apresentaram como endividados, 27% já providenciaram o cancelamento da participação.
OBJETIVOS
Ultimamente o consumidor está muito mais orientado à organização financeira e construção de estabilidade do que diretamente à aquisição de bens, citados na pesquisa.
Desta forma, os principais objetivos estão entre:
- construir reserva financeira, com 36%, e II) investir, com 35%. Portanto, do total de 71% de consorciados totalizados em apenas dois itens na pesquisa quantitativa, 43% são contemplados, confirmando o resultado da fase qualitativa. Atualmente, os envolvidos estão preocupados com a renda futura e aposentadoria.
Na sequência, estiveram 30% que pretendiam viajar, sendo que 46% eram consorciados contemplados, e outros 30% tinham por objetivo quitar dívidas, dos quais 36% eram constituídos por consorciados cancelados.
PROBABILIDADES
Por outro lado, vale acrescentar o que leva ou não o consumidor a aderir a um consórcio. Mais do que a racionalidade, a decisão do futuro consorciado passa por confiança, emoção e percepção de valor. Depreendeu-se que, além de entender, era necessário que o interessado acreditasse nele para dar o primeiro passo.
No geral, a intenção de contratar nos próximos 12 meses foi moderada, resultando em média 6, indicando um cenário de interesse, mas sem forte convicção. Todavia, entre os que nunca contrataram, a propensão foi menor - 4,4 -, ao denotar maior resistência ou falta de convencimento. Já os cancelados, também com menor inclinação, apresentaram 5,2, e demonstraram impacto negativo proveniente da experiência vivenciada com o produto.
Baseados na classificação, na qual ZERO representa baixa probabilidade e 10 alta probabilidade, os contemplados, com 7,4, e os ativos, com 6,9, mostraram-se mais satisfeitos no decorrer dos diversos prazos de seus grupos, sinalizando maior disposição em voltar ao Sistema de Consórcios.

Entre os que nunca contrataram um consórcio, quatro variáveis de percepções foram observadas para aumento de probabilidade de uma decisão positiva: emoção, segurança, benefício e disciplina.
Em cada expectativa, uma citação: “Da esperança”, na emocional para a segurança, como em “o setor de consórcios é seguro para quem deseja adquirir um bem”. Ou ainda, dos “programas de fidelidade ou vantagens exclusivas me incentivariam a permanecer no grupo até o final” para os que esperavam uma benesse ou os disciplinados com “o consórcio é uma forma de evitar gastos impulsivos”.
Somente uma variável, a burocracia, implicou em redução de probabilidade de não contratação de cota: “a garantia de que o setor é fiscalizado e regulado”.
O PROCESSO DE ADESÃO E OS CANAIS
A adesão da cota de consórcio é apenas uma etapa da experiência. Durante a vivência no grupo, a clareza sobre o funcionamento do consórcio, a previsibilidade da contemplação e a capacidade de manter o compromisso financeiro, ganharam importância.
Por ser simples, o processo de adesão é baseado principalmente na confiança. Ao decidir rapidamente, comparou-se pouco e dependeu mais da intermediação humana, em especial via instituições financeiras.
Entre os cinco canais de contratação esteve o “Awareness”, isto é, o relacionamento ou ação de conhecido ou mesmo influência de comunidades virtuais. O mais utilizado foi indicação de um amigo, com 30%; seguida por redes sociais, com 24%; e os bancos e instituições financeiras, com 23%.
Outro canal foi o rotulado por “Consideração e Decisão”, quando os procedimentos são pouco exploratórios. Neste caso, a decisão ocorreu com baixa busca comparativa e de forma rápida. O fato mais constante foi o levantamento de informações em apenas uma empresa, com 43%. Na sequência, com 29%, vieram os que pesquisaram em duas empresas, e com 22%, os que decidiram no mesmo dia.
Um terceiro meio, a ”Intermediação”, um canal concentrado em players tradicionais contou, por exemplo, com o banco assumindo papel central. Neste caso, o levantamento apresentou as seguintes preferências: 41% com as agências de bancos/instituições, 23% com as administradoras independentes e 17% com as concessionárias de veículos automotores.
Outros dois canais: o primeiro - “Contratação”, com conversão contratada em canais assistidos, sendo 49% presencial, 18% via WhatsApp, 14% por contato humano remoto e 7% por aplicativo. “Formato Preferido”, o segundo meio, quando o consumidor deseja autonomia, porém quer contar com a disponibilidade de suporte. A classificação ficou com 35% para atendimento conjugado digital e humano, 34% para totalmente humano e 24% para inteiramente digital.

ATENDIMENTO
Por se tratar de uma prestação de serviços, o consórcio tem, na visão do consumidor, o atendimento como um dos fatores mais relevantes. Com médias acima de 8, os itens ”Confiança e Segurança” apareceram entre as mais bem avaliados, validando o observado na pesquisa qualitativa. Trata-se de resultados que mostram que a experiência do consumidor foi positiva. A média de 8,2 para atendimento reforçou que esse item é fundamental para a tomada de decisão.
Ao serem questionados sobre atendimento, os consorciados cancelados mesmo pontuando acima de 7, de 7,1 a 7,9, as médias foram consideradas baixas, sugerindo descontentamento com a experiência e possível desalinhamento de expectativas com o atendimento.

Ao ponderar sobre as experiências com os consórcios, especialmente nos participantes ativos não contemplados, em sua grande maioria – 73% - com até dois anos de adesão, viveram e vivem a ansiedade de serem rapidamente contemplados em contraposição de só se manterem pagando as parcelas mensais.
EXPECTATIVAS
Em relação às expectativas, os entrevistados demonstraram, com 34%, o desejo de serem contemplados. Saliente-se que dessa totalidade havia 45% da faixa etária de 28 a 37 anos. Na sequência, com 30%, a perspectiva era a de se manterem adimplentes, seguida por 24% dos que pensavam mais na previsibilidade da contemplação.
Outras expectativas contaram com percentuais menores, tais como segurança, escolha certa, planejamento para oferta de lance, pronto atendimento, transparência, entre outros.

CLAREZA
Ao serem abordados quanto a clareza das características do consórcio, os consultados, participantes ativos contemplados e não contemplados, avaliaram de forma positiva, com médias próximas a 8. Apenas os cancelados atingiram 6,8, puxando a média geral para 7,9.
O resultado evidenciou a clareza do mecanismo para os consumidores. Ao considerar uma classificação de 0 a 10, os valores mais altos apontaram como os mais fáceis de entender. Ao analisar seis diferentes aspectos, as respostas apresentaram conceito de homogeneidade por indicar médias variando de 7,4 a 7,8. Foram pesquisados itens como sorteio e lance, funcionamento do grupo, reajuste das parcelas, taxas e custos, cancelamento, devolução de valores.

PROBABILIDADE E MOTIVOS PARA CANCELAR
O consórcio não é percebido como um produto financeiro de alto risco para abandono, pois a probabilidade média de cancelamento é baixa, 3,5. Os principais motivos de cancelamento estão associados principalmente ao custo e à satisfação.
Nos detalhes estão: motivos financeiros, com 34%; insatisfação, com 22%; demora na contemplação, com 17%; concorrência, com 16%; pessoais e novos planos, com 9%; e objetivo alcançado, com 2%.

Os motivos para cancelamento reforçam diretamente os resultados da pesquisa qualitativa, como frustração com o tempo, dificuldade financeira e desalinhamento nas expectativas.
Entre os que já cancelaram, as razões se confirmaram como multifatoriais, combinando a demora para a contemplação e a pressão financeira.
CONCLUSÕES FINAIS
Para sintetizar os comentários citados, os dados apontados, as sugestões propostas e as críticas recebidas, obtidos nas pesquisas qualitativa e quantitativa, foi possível convergir para um aspecto que representa a vivência no consórcio: satisfação. É ela que traduz a experiência passada e define se o consumidor recomenda, volta ou abandona o mecanismo.
Em razão das peculiaridades e características do consórcio, para quem já participou ou ainda está presente em um grupo, a pesquisa apontou que a experiência é bem avaliada no geral - 8,0 -, com satisfação e recomendação em patamares positivos, atingindo melhores marcas entre os contemplados: 8,4 e 8,8. Entre os cancelados existiu uma quebra relevante, 5,9, que evidenciou decepção na experiência.

Com posicionamento consolidado, o consórcio faz parte das opções de produtos destinados a aquisição de bens e serviços, disponíveis para o brasileiro. Tem sido percebido principalmente como ferramenta para planejamento, disciplina financeira, objetivos atingidos e conquistas patrimoniais.
Face ao atendimento consistente, apoiados na confiança, segurança e clareza, os participantes ativos vêm se mantendo satisfeitos. Ao validarem o consórcio, os contemplados apresentaram maiores níveis de satisfação e intenção de contratar novamente.
Ao ponderar os comentários dos entrevistados, desde aqueles que passaram por situações adversas até os realizados com a modalidade, observou-se que a consciência de que a gestão das finanças pessoais é o melhor caminho para a construção de patrimônio nos possibilita acreditar na continuidade do crescimento do Sistema.
Para concluir sobre a sexta pesquisa realizada pela ABAC, feita pela Okiar Intelligence, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, comentou que “o potencial de crescimento do Sistema de Consórcios está diretamente relacionado a tornar a experiência mais compreensível, previsível, flexível e sustentável ao longo do tempo”.
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NOVO SITE DA ABAC ESTÁ NO AR
Com mais conteúdo e maior facilidade de acesso, o novo site, colocado no ar recentemente, visa atender as necessidades do mercado consorcial ao informar e orientar consumidores sobre o mecanismo. O portal apresenta conteúdo mais completo, atendendo às informações mais procuradas, com visual impactante, atualizado e funcional.
A partir de um design moderno e responsivo, a conexão ao https://abac.org.br permite acessos aos consumidores, público em geral, participantes do Sistema de Consórcios, profissionais, empreendedores, empresários, jornalistas, a obterem dados e orientações navegando de forma simples, ampliando conhecimentos, facilitando análises e decisões.
CARTILHA DIGITAL
A ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios disponibiliza a cartilha digital
Transforme Sonhos em Projetos – Planejamento, Poupança e Crédito Consciente.
Com conteúdo orientando a transformação de sonhos em projetos, a cartilha é baseada na essência da educação financeira, que ensina a gerenciar o dinheiro, planejar e poupar para o futuro, e, inclusive, se proteger contra fraudes.
Para logar a cartilha digital, acesse o site https://abac.org.br e clique em Blog da ABAC – Educação Financeira.
SABER FINANCEIRO - UM SITE FOCADO EM EDUCAÇÃO FINANCEIRA
A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios disponibiliza um canal de comunicação para consumidores e investidores financeiros focado no tema "Educação Financeira".
O site https://saberfinanceiro.org.br - disponibiliza conteúdo exclusivo sobre o assunto, que possibilita aos interessados testar seus conhecimentos e melhorar sua compreensão sobre o mercado financeiro.
GUIA CONSÓRCIOS DE A A Z
A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios coloca à disposição o Guia Consórcios de A a Z.
Todas as informações sobre o Sistema de Consórcios, desde a adesão até o encerramento do grupo.
Acesse: https://materiais.abac.org.br/guia-consorcio-de-a-a-z
PROGRAMA DE CERTIFICAÇÃO ABAC - PCA 10
A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios oferece o Programa de Certificação ABAC, destinado aos profissionais de vendas e representantes de administradoras de consórcios, sejam associadas ou não à entidade de classe. Trata-se da primeira certificação exclusiva do Sistema de Consórcios, o PCA10.
Saiba mais em https://certificacaoabac.org.br.
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